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Processo de Enfermagem: as cinco etapas e um exemplo prático

Entenda as cinco etapas do Processo de Enfermagem segundo a Resolução Cofen nº 736/2024 e veja um exemplo didático.

Profissional da saúde consultando registros para planejar a assistência
Foto: Gustavo Fring/Pexels · Ver fonte

O que é o Processo de Enfermagem

O Processo de Enfermagem é um método que organiza o pensamento clínico e o cuidado profissional. Ele conecta dados da avaliação, necessidades identificadas, resultados esperados, intervenções e evolução do paciente.

No Brasil, a Resolução Cofen nº 736/2024 dispõe sobre sua implementação nos contextos em que ocorre o cuidado de enfermagem. A norma apresenta cinco etapas inter-relacionadas, recorrentes e cíclicas:

  1. Avaliação de Enfermagem;
  2. Diagnóstico de Enfermagem;
  3. Planejamento de Enfermagem;
  4. Implementação de Enfermagem;
  5. Evolução de Enfermagem.

Embora sejam estudadas em sequência, elas não funcionam como caixas isoladas. Um novo achado na evolução pode exigir outra avaliação e a revisão do plano.

Processo de Enfermagem e SAE são a mesma coisa?

Os termos foram usados como sinônimos por muito tempo, mas não representam exatamente a mesma ideia.

A Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) está relacionada às condições organizacionais que tornam o cuidado sistematizado possível: método, pessoal, instrumentos, rotinas e organização do trabalho.

O Processo de Enfermagem (PE) é o método aplicado ao cuidado, composto pelas cinco etapas. Em uma resposta de prova, vale observar a norma e o referencial adotado pela banca, especialmente em questões antigas.

1. Avaliação de Enfermagem

É a coleta de dados subjetivos e objetivos pertinentes à saúde da pessoa, família ou coletividade. Pode envolver entrevista, exame físico, observação, escalas validadas, consulta ao prontuário e informações da equipe ou do acompanhante.

Uma avaliação consistente não é uma lista aleatória de achados. Ela busca dados relevantes para a situação atual e para os riscos existentes.

Exemplos:

  • queixa principal e história do problema;
  • nível de consciência e comunicação;
  • sinais vitais e dor;
  • mobilidade e risco de queda;
  • integridade da pele;
  • alimentação, hidratação e eliminações;
  • sono, aspectos emocionais, sociais e culturais;
  • dispositivos, tratamentos e resposta às intervenções.

Dados incompletos ou imprecisos comprometem as etapas seguintes.

2. Diagnóstico de Enfermagem

O diagnóstico de enfermagem expressa uma resposta humana, condição de saúde ou vulnerabilidade que pode ser acompanhada e tratada por intervenções de enfermagem. Ele não é o mesmo que diagnóstico médico.

“Pneumonia”, por exemplo, é um diagnóstico médico. Alterações de padrão respiratório, tolerância à atividade, conforto ou capacidade de autocuidado podem compor o julgamento clínico de enfermagem, desde que sustentadas pelos dados coletados e pelo sistema de linguagem adotado.

Segundo a regulamentação profissional, o diagnóstico de enfermagem integra as atribuições privativas do enfermeiro no Processo de Enfermagem.

Erros comuns nessa etapa:

  • escolher um título antes de avaliar o paciente;
  • usar um diagnóstico sem evidências suficientes;
  • copiar diagnósticos de casos parecidos;
  • confundir problema colaborativo, diagnóstico médico e diagnóstico de enfermagem;
  • acumular muitos diagnósticos sem priorização.

3. Planejamento de Enfermagem

O planejamento define prioridades, resultados esperados e intervenções de enfermagem. Um bom resultado deve permitir acompanhamento. “Paciente irá melhorar” é vago; “Paciente apresentará redução da intensidade da dor após as intervenções, conforme reavaliação pela escala adotada” oferece um critério observável.

O plano considera:

  • urgência e risco;
  • preferências e necessidades da pessoa;
  • recursos disponíveis;
  • evidências e protocolos;
  • atuação da equipe multiprofissional;
  • prazo e indicadores para reavaliação.

A prescrição de enfermagem, dentro do Processo de Enfermagem, é atribuição do enfermeiro. Ela deve ser clara, individualizada, executável e coerente com os resultados esperados.

4. Implementação de Enfermagem

É a realização das intervenções planejadas. Participam enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, observadas as competências legais, a supervisão e as responsabilidades de cada categoria.

Implementar não significa cumprir mecanicamente uma lista. Antes e durante uma intervenção, o profissional precisa verificar identificação, indicação, condições do paciente, riscos, recursos, resposta e necessidade de comunicação.

Também fazem parte dessa etapa:

  • orientação ao paciente e à família;
  • comunicação entre profissionais;
  • medidas de prevenção e segurança;
  • registros do cuidado realizado;
  • observação de intercorrências e respostas.

5. Evolução de Enfermagem

A evolução analisa os resultados alcançados e orienta a manutenção, modificação ou encerramento do plano. Ela exige comparação: como o paciente estava, quais intervenções foram realizadas e como respondeu?

Uma evolução não deve ser apenas uma repetição da avaliação inicial. Ela deve mostrar mudança, permanência ou piora relevante.

Perguntas úteis:

  • O resultado esperado foi alcançado total ou parcialmente?
  • Surgiram novos dados ou riscos?
  • As intervenções foram efetivas?
  • O plano continua adequado?
  • O que precisa ser modificado?

A evolução de enfermagem, conforme a Resolução Cofen nº 736/2024, é atribuição privativa do enfermeiro. Os demais integrantes da equipe realizam anotações de enfermagem e participam da implementação de acordo com suas competências.

Exemplo didático das cinco etapas

Considere uma pessoa adulta no pós-operatório que relata dor intensa ao movimentar-se. Este é um exemplo simplificado para estudo, não um plano pronto para uso clínico.

Avaliação

  • relata dor 8/10 na região operada ao movimentar-se;
  • apresenta expressão facial de desconforto;
  • evita mudar de posição;
  • sinais vitais e demais achados registrados;
  • curativo e condições do local avaliados conforme protocolo.

Diagnóstico

O enfermeiro analisa os dados e seleciona o diagnóstico de enfermagem compatível com o referencial e a terminologia utilizados pelo serviço. O título precisa ser sustentado pelos achados, e não apenas pelo fato de a pessoa estar em pós-operatório.

Planejamento

  • definir resultado mensurável relacionado ao controle da dor e à mobilidade;
  • estabelecer prazo de reavaliação;
  • prescrever intervenções de enfermagem adequadas;
  • articular medidas prescritas e atuação multiprofissional.

Implementação

  • aplicar medidas não farmacológicas apropriadas;
  • executar a terapêutica prescrita dentro da competência profissional;
  • orientar sobre comunicação da dor e movimentação segura;
  • observar efeitos e eventos adversos;
  • registrar o cuidado realizado.

Evolução

Comparar intensidade e características da dor, capacidade de movimentação e resposta às intervenções. Com base nos resultados, o enfermeiro mantém ou revê diagnósticos, resultados e prescrições.

Como estudar Processo de Enfermagem

Em vez de decorar cinco nomes, use casos clínicos curtos:

  1. destaque os dados relevantes;
  2. separe dados subjetivos e objetivos;
  3. agrupe achados relacionados;
  4. identifique prioridades;
  5. proponha resultados observáveis;
  6. relacione cada intervenção a um resultado;
  7. determine como e quando avaliar a resposta.

Esse exercício mostra a lógica que liga uma etapa à seguinte.

Resumo para revisar

EtapaPergunta central
AvaliaçãoQuais dados relevantes foram encontrados?
DiagnósticoQue respostas ou necessidades de enfermagem os dados sustentam?
PlanejamentoQuais são as prioridades, os resultados e as intervenções?
ImplementaçãoO que foi realizado e como a pessoa respondeu?
EvoluçãoO plano funcionou e o que precisa mudar?

Referências

  • Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 736, de 17 de janeiro de 2024: dispõe sobre a implementação do Processo de Enfermagem em todo contexto socioambiental onde ocorre o cuidado de enfermagem.
  • Brasil. Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986: regulamenta o exercício da enfermagem.
  • Brasil. Decreto nº 94.406, de 8 de junho de 1987: regulamenta a Lei nº 7.498/1986.